domingo, 2 de maio de 2010

MÃE

Sabes mãe,
Hoje deitei a cabeça na almofada e senti saudade do teu colo.
O frio da almofada, transportou-me para um passado que parece tão longínquo,
Mas tão doce…
De pouco me lembra a infância, mas dessas tão poucas memórias,
Mãe, tu estás em todas, porque será?
No teu ventre me fiz gente,
E tu em mim te fizestes mãe.
No teu seio me fiz homem e no teu colo eu cresci…
Porque me deixastes crescer, mãe?
E assim lentamente fugir do calor do teu colo, do aconchego do teu regaço…
E tudo parece tão longe, tão distante, mas a lembrança tão viva…
Na minha pressa de crescer, de voar… perdi a inocência
E o direito de me deitar no teu colo.
Mãe hoje tenho frio e de nada me serve toda a roupa que vista,
O frio está-me na alma!
Tenho saudades dos fantasmas que de noite me visitavam,
Das trovoadas, dos meus medos…
Pois o regresso à protecção do teu colo e do teu amor, compensavam a dor.
Nunca te contei, mas nas minhas doenças, não era o remédio que me curava,
Era o calor do teu colo, o teu amor mãe.
Mãe?….
Porquê mãe? Porque me deixaste crescer….
Eu era apenas uma criança, mas tu tinhas o dever de não me deixares crescer.
Mãe, eu tenho direito ao colo, ao tempo de colo que perdi…
Eu exijo voltar ao teu colo, fechar os olhos e sonhar.
E agora quando os fantasmas me visitam,
Tenho medo e não tenho a protecção do teu colo, mãe.
Mas, agora durmo na almofada fria,
MÃE…

Dedicado às dua mães da minha vida. A minha mãe e à mãe dos meus filhos. O meu muito obrigado, amo-vos muito.