Foste a mais pequena petála, o mais pequeno botão que caiu da nossa roseira. Dezasseis, dezasseis longos anos separam e medem a nossa saudade. Ainda agora sentimos em nossos braços o calor do teu corpo quando embalado, nos meus ouvidos ainda ecoa a última canção que a avó cantou para ti enquanto te aninhavas no seu colo e procuravas o conforto que pouco a pouco a doença te roubava.
Partiste com o luar e antes de permitires que os raios de sol mais uma vez, radiantes zombassem da tua dor, como sofrestes, só quem acompanhou a tua doença sentiu a tua dor. Depois de tantos anos, foi como se não partisses, mas antes parasses de crescer. Continuas e sempre continuarás a ser o nosso menino, ainda hoje a avó me dizia ao telefone "faz hoje dezasseis anos que o nosso menino foi para o céu", "...o nosso menino..." . Ainda hoje a tua ausência embarga-me a voz, comove-me e raras vezes não me leva às lágrimas. Raros são os dias em que pelo menos um pensamento meu não voa até ti.
Porquê? Porquê? A eterna pergunta que sempre nos vai atormentar, porquê partir aos oito anos? porquê sofrer daquela forma? Que Deus é este que permite que isto aconteça, que uma criança sofra tanto e depois parta assim com tanta dor? Que mal poderias ter feito para tal castigo? Não sei, depois de todo este tempo continuo sem resposta, e nada pode apagar a tua ausência. Foi um longo periodo de dor, ficamos impávidos a assistir dia após dia a doença pouco a pouco, qual tirano, a roubar-te de nós, dos que te amavamos e sem nada podermos fazer, essa doía mais do que a dor da certeza que te iriamos perder.
Por fim, o tão odioso momento chegou, aquela fatídica noite arrasou nossas vidas e nossos corações, de todo esse longo dia duas coisas me ficaram, de repente o céu parecia que chorava também, o sol sumiu e caiu a chuva que mais forte que fosse, não me lembro de a ter sentido, tinha o corpo dormente e nada mais importava e a outra que mais me impressionou foi que por fim a expressão de dor que nos últimos tempos ocupou o teu rosto, desapareceu, e por fim voltou uma expressão de serenidade, alivio e felicidade ao teu rosto que ainda hoje consigo ver como o vi no próprio dia, era como se quisesses dizer "por fim paz".
Onde quer que estejas, quero que saibas que ainda vives e sempre viverás nos nossos corações, descansa em paz "meu menino".
Sem comentários:
Enviar um comentário